Como psicóloga, posso descrever alguns problemas psicológicos comuns que as pessoas expatriadas podem enfrentar:
- Choque cultural: vamos pensar de uma forma simples sobre este choque? Pense você, que nunca teve a oportunidade de ir ao shopping, por exemplo. Quando esta experiência chega, haverá um possível choque de cultura; principalmente se você é uma pessoa que sempre morou no interior, e nunca teve a oportunidade de ir à cidade. Outro exemplo, ainda dentro deste contexto é a pessoa que nunca comeu comida japonesa. Estar em um ambiente como este, pode trazer experiências divertidas ou trágicas. Portanto, ao ampliarmos este singelo ponto para algo muito maior que é um outro país, é inevitável: a pessoa terá dificuldades em ajustar-se a um novo ambiente, com idioma e posicionamentos diferentes dos seus frente à determinadas situações.
- Solidão e isolamento social: ainda seguindo o raciocínio de focarmos em situações do dia-a-dia, podemos seguir com mais um exemplo sobre o isolamento e solidão. Provavelmente, você já teve algum tipo de experiência de ter se sentido isolad@ ou ter vivenciado por algum tempo a solidão. Para e pensa em alguma situação. Pensou? Pois bem, imagine viver isso por meses ou anos. Eu tive a oportunidade de atender um adolescente, que com a família, precisou ir para Itália. Foi uma mudança de urgência, e necessária, mas para ele foi extremamente difícil. Ele viveu bullying na escola por não conseguir falar italiano. Com isso, passou a ter angústia ao ponto de não querer sair mais de casa. Os pais sofreram muito, e por estes motivos, decidiram buscar por uma terapia online para brasileiros no exterior.
- Estresse relacionado ao trabalho: assim como mencionado acima, atendo pessoas que possuem muita dificuldade em se relacionar com os colegas de trabalho de outras culturas. Algumas pessoas acabam sendo isoladas e quando juntam os prazos das entregas dos serviços, a pressão aumenta mais.
- Problemas de relacionamento: este tópico é bastante relativo porque "relacionamento" vem de diversos formatos. De forma geral, o distanciamento e a falta de presença física das pessoas de afeto pode ser uma pressão adicional para o expatriado.
- Ansiedade e depressão: eu ainda não atendi um expatriado que estivesse vivenciando uma depressão maior por estar em outro país, no entanto, atendo muitas pessoas que vem com relatos de crises de ansiedade.
- Dificuldades de adaptação: quando não se existe empatia no ambiente que o expatriado está inserido, a adaptação ao ambiente passa a ser dolorosa.
- Problemas de identidade: eu atendo pessoas expatriadas que quando vem para o Brasil não aguentam ficar por muito tempo, e quando voltam para o exterior, sente que falta algo. Existe um paradoxo neste sentido. Questionamentos como: "eu não sei se sou mais brasileiro mas também não me sinto integralmente parte do país em que vivo" são comuns.
- Barreiras linguísticas: quando os brasileiros passam a morar em outros países, sentem certa dificuldade na comunicação; quando o brasileiro não tem proficiência no idioma local passa a ser mais conflituoso ainda.
- Problemas de saúde mental: quando o brasileiro está em outra cultura, a forma que os profissionais locais lidam com questões mentais é bem diferente da forma como os brasileiros lidam. Aqui, No Brasil, o cuidado com a saúde tende a ser mais amoroso e cuidadoso. Em países dos quais eu tive a oportunidade de atender os brasileiros, ou os valores são muito altos, a espera é muito grande, ou a indiferença perante este tema ainda é muito grande.
- Problemas financeiros: muitos dos brasileiros que atendo passam a ser a fortaleza financeira dos familiares que ficaram no Brasil. Depois de um tempo, percebo o sofrimento mental em virtude da carga de "eu preciso cuidar da minha família", e com isso, entrar em um terreno gigantesco de sacrifício. Existem outras pessoas que vão com a expectativa de um alto retorno financeiro, mas que acabam por encontrar muita dificuldade também. Minha experiência maior é com a primeira alternativa.