31/10/2021

Terapia de Casal: aflição para muitos, paraíso para outros

O que é a Terapia de Casal?

É um processo terapêutico com o intuito de conscientizar cada um dos cônjuges sobre suas vontades, consequências das suas ações no relacionamento e nas possibilidades de (re)estruturação de uma comunicação positiva entre os mesmos, independente das decisões tomadas.

A Terapia de Casal é indicada para quem?

A terapia de casal é indicada para casais com dificuldades de relacionamento que pretendem melhorar a interação independente da definição de permanecerem juntos ou se separar.

Como funciona a Terapia de Casal?

Conforme dito acima, a Terapia de Casal costuma ser mais procurada em duas circunstâncias:

  • Tentativa de salvar o casamento.
  • Promover melhor interação no processo de separação.

Pela recorrência da busca surgir a partir destes fatores conflituosos, a Terapia de Casal possui má fama: muitos acreditam que a Terapia irá será a causadora da separação. Não consideram que a existência da Terapia se dá também para aprimorar novos meios de comunicação, além da possibilidade de melhor compreensão e respeito sobre o outro.

Casamento: uma escolha que você faz todo dia

Você se lembra do motivo de ter se casado? Você sabe o motivo de ainda se manter casado? O que há em um relacionamento que, com todas as complexidades que envolvem o amor e o ódio, faça com que você queira acordar todos os dias ao lado da mesma pessoa? O que te fez se interessar pela ideia de uma Terapia de Casal?

No século XXI, vivemos um momento do qual existem diversos dispositivos para iniciar uma primeira interação (seja através de aplicativos, redes sociais, baladas, faculdade, cafeteria, ambiente profissional, festas, além de uma infinidade de outros exemplos, como até mesmo na fila de um ponto de ônibus).

Selada a primeira impressão e o contato olho a olho, um perfil de fantasia surge nas primeiras conversas. Com eventual reciprocidade, existe a busca por outros indícios de ambos para um próximo encontro. A partir daí, expectativas de diferentes níveis e maneiras surgem inevitavelmente.

Já parou para se perguntar o que você acolhe, busca e renuncia no outro?

Para que haja interação, algum tipo de relacionamento foi preciso existir. Relacionamento, relacionamento, relacionamento. A todo o momento vivenciamos essa palavra em ato. Existem infinitas possibilidades de relacionamento, e da onde veio essa palavra que afeta todo mundo em todo o lugar?  

Origem da palavra relacionamento

A palavra relacionamento vem da raiz relação, que vem do latim relatio. Em latim, relatio significa o ato de relatar ou narrar alguma situação, ou de trazer alguma coisa de volta. Também pode ter o sentido de pagar de volta, retrucar contra alguém que faz uma acusação ou a relação com alguma coisa.

Com o tempo, o significado da palavra relação mudou para a ligação entre duas coisas ou pessoas. A palavra relacionamento surgiu para descrever o ato de se relacionar com outra pessoa.

Fonte: https://www.dicionarioetimologico.com.br/relacionamento/

A Ilusão do Encaixe Perfeito

Para Lacan (psicanalista francês), o relacionamento sexual perfeito não existe, o encaixe perfeito seria impossível. Isso porque numa cama, uma relação sexual tem muito mais que duas pessoas. Tem elx* e elx*, tem quem el* imagina que el* é e vice-versa. São multiplicações de personagens, fantasias dos inconscientes de que cada um é desses parceiros, as intensidades variadas dos beijos e carícias, o tesão,  e etc.

Como melhorar o meu relacionamento?

Em uma Terapia de Casal a queixa constante é de que o outro “nunca me entende”. Existe uma briga assistida pelo terapeuta com grande frequência. Ele observa os gestos, percebe que não há conversa um com o outro, cada um está monologando com uma própria imagem interior de quem é o parceiro. O parceiro que não corresponde às expectativas do outro com base na fala: “eu acho que ele deveria ser (use sua criatividade ou então experiência para o complemento desta frase)”.

Quando você olha para o seu companheiro ou companheira, você se vê através dos óculos desse conjunto de projeções de você mesmo. O relacionamento (namoro, noivado, casamento) é feito de esperança. A união entre duas pessoas se dá pela esperança de ambos serem felizes.

O que é a felicidade a dois para você?

Na companhia do outro, as projeções são infinitas: eu quero ter filhos com el*, eu quero alguém que goste de viajar, que saiba discutir sobre arte, que ame minha família, eu quero uma pessoa para ter muitos filhos, eu quero que a pessoa saiba cozinhar, etc, etc. Atingir suas próprias fantasias através do outro é um meio que o seu ego atinja os seus objetivos: como são dois, há uma linha cruzada. Você se casa esperando que el* seja exemplar de algo, mas e quando a pessoa não o é? Expectativas fadadas à frustração!

As expectativas de cada um são contraditórias e por definição, inatingíveis. Cada um dos objetos de projeção é sujeito de uma projeção. O relacionamento é uma fonte de PRAZER assim como fonte de ANGÚSTIAS. É uma fonte inesgotável de atritos assim como fonte inesgotável de acolhimento.

Você mede seu relacionamento pela qualidade apenas do sexo?

De maneira geral, dentro ou fora do casamento, a sexualidade é por um lado uma função fundamental da psique humana mostrando o papel fundamental que os desejos sexuais exercem na formação e do desenvolvimento da nossa vida afetiva e intelectual.

Você já se perguntou pra quem você faz o que faz?  

A sexualidade desempenha uma função de ser o continente de uma série de angústias, medos e temores que não teriam de se concentrar em torno do desempenho sexual, mas desempenham. Transar produz prazer e angústia: “será que eu estou agradando minha/meu parceiro/a?” A sexualidade produz o prazer através do outro, ou seja, o seu prazer depende do outro. Você faz pensando na pessoa que ama. Você precisa se imaginar capturado, atraído por algo que emana do objeto (o seu par) sem que você perceba que foi você mesmo que botou aquela característica naquela pessoa, em determinado tipo.

Por que não há mais desejo no casamento?

Sexualidade serve como meio de contato e de vínculo com o outro, mas, sobretudo vem para desejar e imaginar e ter alguma convicção de que o outro também deseja você. Como manter-se sendo objeto de desejo do outro? Colocar-se como SUJEITO de um desejo e se colocar sob a luz de ser OBJETO de um desejo paira a dúvida: e quando do casal emerge um triângulo amoroso onde entre você e o companheiro existe um OUTRO?

O que ela tem que eu não tenho?

As fantasias sobre a capacidade de fazer o par gozar, além da intensidade do prazer do outro passa a ser questionada.  E muitas das vezes a pergunta padrão surge: “O que eu devo fazer para...”? É importante saber que receituário técnico não tem nada a ver com a sensualidade. Certas questões estão para além do ato sexual. Em geral, a sexualidade é a fonte de preocupação assim como de prazeres que envolvem o outro, e o outro tem uma face interna que jamais será acessível a você, e às vezes nem será acessível para a própria pessoa que está inconsciente.

Esse lado obscuro, ou seja, o que está inconsciente, do outro, chega em você com exigências das quais jamais será capaz de realizar. Um exemplo é quando você quer que o seu par faça algo de espontâneo sem você NUNCA ter mencionado que aquilo é importante para você. Como seu par, hipoteticamente “escrevendo”, embora conviva com você há anos, “deveria” saber que você ama carícias no pé (embora você nunca tenha mencionado antes?)

Quando as soluções de curto prazo machucam

A frase “Você não é mais o mesmo” é um gerador de ferimentos sério. Se a sexualidade é esse campo de que as expectativas recíprocas em relação ao outro vão vigorar, se cada um é para o outro ao mesmo tempo objeto de prazer, mas também uma fonte possível de sofrimento, isso vale tanto para a sexualidade quanto para o casamento e pode haver sim problemas na sexualidade no casamento. Dois tipos de comportamentos (dentre outros) podem ser citados:

  • Com o passar do tempo, sendo mais comum a idade, o vigor diminui e nos dois gêneros.
    • Os corpos deixam de estar tanto em contato como no começo na relação, o sexo pode estar deslocado em outras coisas: a atividade erótica pode desaparecer. O incremento da masturbação, o desejo ainda deseja o orgasmo e prefere fazer solitariamente porque segue o seu próprio ritmo e não depende do outro.
  • Com o passar do tempo, a atração física continua, através de outros gestos
    • O tipo de atração agora é através dos olhares, dos abraços, na conversa, nos passeios e outros. O amor benigno é tão intenso que desperta aquelas falas: “Você viu como ele olha para ela? Eu queria que você me olhasse dessa forma”.

O casamento depende da qualidade do relacionamento.

Você cria vínculos com seu par diariamente?

O relacionamento se dá pela tolerar da existência do outro e o outro é fonte de angústia e carinho pelo fato de existir e ser indispensável a você: “por que eu gosto tanto de você?”. Cada um dos dois encontrou no outro o substrato suficientemente bom para as fantasias mesmo com as rebeldias.

Casamento bem sucedido que pode ter o decréscimo da atividade explícita não costuma ser um fator grave. É possível que através do vínculo forte, a sensualidade se deslocará para outras situações e os projetos em comuns, por exemplo: eu amo cozinhar, e ela ama comer o que eu faço.  

Entretanto, com a ausência de manutenção do casamento benigna, problemas mais específicos podem acontecer como impotência ou frigidez; e no meio desta situação um dos parceiros ainda deseja do outro satisfação sexual, o outro se torna incapaz de proporcionar tal satisfação. A quantidade de queixas e mágoas costuma ser tão grande que é natural emergir a problemática através da sexualidade. Muitas questões têm mais a ver com o emocional que propriamente fisiológica. Sexualidade é um veículo, é um meio.

Durante uma Terapia de Casal é de extrema importância o comprometimento de ambos no processo. O envolvimento dos cônjuges é importante neste processo. É comum que a busca por uma Terapia de Casal parta mais da mulher, no entanto, a terapia só fará sentido na presença dos dois. O objetivo deste texto foi de propiciar maior interação sobre o que antecede uma terapia: afinal, antes de pisar dentro de um consultório, existe uma bagagem da sua vida, do seu companheiro, e da vida conjugal como um todo. Não falamos apenas de uma vida, ou de duas, mas de três vidas, e tantas outras mais.

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